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Se o tempo curasse, as farmácias venderiam relógios.

Do azul para o verde Anterior Seguinte

Do azul para o verde

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  Fauna     Nikon D90  

O peixe vivia há anos no lado azul da água. Era uma zona respeitável, fresca, profunda e cheia daquele ar misterioso que os peixes adoram para parecer intelectuais. Ali todos nadavam devagar, com expressão séria, como se estivessem constantemente a reflectir sobre filosofias aquáticas.

Mas um dia o peixe cansou-se.
«E se eu fosse ali ao verde?», disse em voz alta.
Os outros olharam-no com escândalo.
— Ao verde? Mas aquilo é claro demais. Vê-se tudo!
— Precisamente, respondeu ele.
— Estou farto de viver num sítio onde toda a gente parece uma sombra com barbatanas.
E lá foi.

À medida que atravessava a fronteira invisível da água, o mundo mudava. O fundo dourado brilhava, a luz dançava por todo o lado e até as pedras pareciam mais felizes. O peixe sentiu-se imediatamente diferente. Mais leve. Mais aventureiro. Quase um turista.

No azul, ele era apenas «mais um peixe». No verde, começou a reparar que tinha escamas elegantes, uma cauda respeitável e até um certo perfil cinematográfico.

Claro que também havia inconvenientes. No verde toda a gente via toda a gente. Um camarão até comentou:
— Olha quem decidiu aparecer! Tão escuro, pensava que tu eras um tronco a flutuar.

O peixe fingiu não ouvir e continuou o passeio com dignidade.

Ao final do dia regressou ao azul. Os outros peixes aproximaram-se logo:
— Então? Como era?

O peixe ficou em silêncio uns segundos e respondeu:
— Muito bonito... mas no verde não dá para fingir que estamos ocupados.
;-)

Moura

  Informação técnica

Fotografia N.º: 5657

Publicado em: 2026-05-18

Grupo: Fauna #Fauna

 Câmera: Nikon D90

 Abertura: f 5.6

 Distância focal: 200 mm (35mm equiv.: 300 mm)

 Velocidade do obturador: 1/200 sec

 Flash: Não Disparado No flash

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