Pontos deVistas

O amor à primeira vista é possível; mas é bom limpar os óculos e ter um segundo olhar.

Sobre About

  O Pontos de Vistas é...

O Pontos de Vistas inscreve-se, com a dignidade serena, na nobre categoria dos blogues fotográficos. Veio ao mundo no longínquo e solene dia XXIII-X-MMIV, data que, escrita assim em romano, lhe confere desde logo uma respeitabilidade quase imperial. Nos seus primórdios, era uma criatura modesta: um blogue simples, despojado de comentários, actualizado apenas uma vez por semana, como quem cumpre religiosamente um ritual silencioso.

As visitas eram raras, tímidas, quase etéreas. Havia semanas em que alcançar a assombrosa marca de dez visitantes equivalia a celebrar uma vitória épica. Não propriamente digna de fogos de artifício, mas certamente merecedora de um discreto sorriso de satisfação. E assim manteve-se durante cerca de dois anos: resiliente, discreto e teimosamente fiel à sua cadência semanal.

Até que chegou o dia da metamorfose. O Pontos de Vistas adquiriu um domínio próprio, o respeitável [pontosdevistas.net] e passou a funcionar com base na plataforma pixelpost (que entretanto até já morreu). Foi, metaforicamente falando, o momento em que trocou as sandálias por sapatos de verniz. A partir daí, cresceu. Ganhou corpo, identidade, visitantes, diálogo. Evoluiu até tornar-se naquilo que é hoje: um espaço consolidado, com personalidade própria e uma história que já não cabe numa pequena legenda.

Entretanto, porque o tempo tem essa deselegância de não pedir licença, o Pontos de Vistas ultrapassou já as duas décadas de existência. Mais de vinte anos. Uma idade respeitável, sobretudo no efervescente e volátil universo digital, onde projectos nascem e desaparecem com a mesma rapidez com que se troca de roupa interior.

Se há mérito nesta longevidade, ele reside talvez numa qualidade rara: a constância. Nunca entrou em férias, nunca declarou hiato, nunca ausentou-se em silêncio dramático. Houve sempre, sem excepção, pelo menos uma nova fotografia por semana. Uma promessa silenciosa cumprida com disciplina quase monástica.

E se a fotografia é, como se diz, a arte de fixar o instante, então o Pontos de Vistas é também a arte de persistir no tempo. Semana após semana, ano após ano, num exercício contínuo de olhar, registar e partilhar.



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Declaro solenemente que todos os comentários são não apenas bem-vindos, mas praticamente indispensáveis à boa ordem do universo, ou, pelo menos, à evolução do meu modesto percurso fotográfico. Diria mais: deveriam ser obrigatórios, como os impostos ou os exames à próstata (para quem a tem) depois dos 50 anos. Porque, sem essa nobre e por vezes impiedosa interacção, como poderei eu rir dos meus próprios disparates, aprender com os meus equívocos e ascender, ainda que tropeçando, a patamares mais dignos da arte de escrever com a luz?

Não busco loas fáceis, dessas que se distribuem com a mesma generosidade com que se oferece açúcar no café. Elogios vazios são como filtros fotográficos em excesso: podem dourar a imagem, mas raramente lhe acrescentam substância. O que procuro são comentários verdadeiros, sinceros, até ligeiramente desconfortáveis. Daqueles que nos fazem inclinar a cabeça, semicerrar os olhos e admitir: «Pois... se calhar tens razão.»

Se algo está menos bem conseguido ou, admitamo-lo com frontalidade, francamente mal, não tenham receio de o dizer. A franqueza, quando bem-intencionada, é uma forma elevada de generosidade intelectual. Valorizo todos os tipos de comentários e opiniões, do aplauso entusiástico à crítica cirúrgica.

Contudo, neste espírito democrático mas não anárquico, convém recordar que a pluralidade de opiniões não as torna automaticamente equivalentes em mérito. Nem todas as perspectivas repousam sobre o mesmo grau de reflexão, experiência ou sensibilidade estética. E está tudo bem: discutir, ponderar e até discordar faz parte do processo.

Comentem. Comentem muito. Comentem com humor, com rigor e com frontalidade. Prometo receber cada palavra com espírito aberto, sentido crítico e, sempre que possível, uma boa gargalhada, que também é uma excelente forma de revelação.



  O Remus...

O Remus é um ser mítico.
Imaginem um Pégaso. Já o visualizaram? Magnífico, alado, etéreo, a recortar o céu com elegância olímpica? Muito bem. Agora façam o favor de apagar essa imagem da mente, arquivá-la na secção «Criaturas Improváveis» e fechar cuidadosamente a gaveta, porque tal como o Pégaso, também o Remus não existe.

É certo que há quem jure tê-lo avistado, normalmente ao fim da tarde, quando a luz é mais caprichosa e a imaginação ganha asas. Descrevem-no com convicção, apontam-lhe características, atribuem-lhe feitos, mas quando confrontados com pedidos de provas irrefutáveis, limitam-se a encolher os ombros e a sorrir com aquele ar de quem não sabe nada.

A verdade nua e crua é esta: o Remus pertence ao mesmo domínio metafísico das sereias (mas das feias), dos unicórnios e das segundas-feiras agradáveis. É uma ideia, um conceito, talvez até um estado de espírito, mas uma entidade verificável? Nem por isso.

Portanto, se alguém vos disser que conhece o Remus, que falou com ele ou, audácia suprema, que o fotografou, reajam com a serenidade própria dos eruditos: acenem lentamente, murmurem um intrigado «é curioso...» e prossigam a vossa vida, porque, convenhamos, há mitos muito mais plausíveis.



  Contactos

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  Material Fotográfico

Kodak DX6490 Schneider-Kreuznach Variogon 10X optical zoom lens
(equivalente a 38-380mm) F2.8 - F3.7
Nikon D90
Nikon D70
Nikkor 18-200mm F3.5 - F5.6
Nikkor 50mm F1.8
Nikkor 35-70mm F3.3 - F4.5
Hoya 80-200mm F4
Praktica MTL 5 Helios 44M 58mm F2
Super Paragon 28mm F2.8
Pentax P30 SMC Pentax-A 50mm F1.7
Nikon Coolpix L29 NIKKOR lens with 5x optical zoom
(equivalente a 26-130mm) F3.2 - F6.5
Olympus E-PL5 Yongnuo 25mm F1.7