Pontos deVistas

A felicidade nunca sai de moda.

Que doentia grade Anterior Seguinte

Que doentia grade

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  Grafismos Graphics    Nikon D90  

Que doentia claridade
a que me invade e me obsidia,
durante a noite e à luz da tarde,
à luz da tarde, à luz do dia!
Que doentia aquela grade
de insone e ténue claridade,
sob a avançada gelosia!

Passo na rua e nada vejo
senão a luz, a luz e a grade.
Ó lamparina do desejo,
porque ardes tu, até tão tarde?
E às vezes surge, entre a cortina,
aquela sombra vespertina
que me retém nesta ansiedade.

Se tens trint'anos? ou cinquenta?
Quis lá saber a tua idade!
Sei que em meus olhos se impacienta
fome da luz daquela grade!
Sei que sou novo, e que me odeio
porque me tarda — ante o teu seio —
queimar tão pobre mocidade!

Poema «Serenata do Adolescente» de David Mourão-Ferreira in "Os Quatro Cantos do Tempo".

  Informação técnica

Fotografia N.º: 4252

Publicado em: 2021-09-22

Grupo: Grafismos #Graphic

 Câmera: Nikon D90

 Abertura: f 8

 Distância focal: 112 mm (35mm equiv.: 168 mm)

 Velocidade do obturador: 1/100 sec

 Flash: Não Disparado No flash

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  Escolha da semana

Estive a carregar baterias e sem tempo para fazer a escolha desta semana.
;-)

  Comentários

Existem 11 pontos de vista. Quem será o próximo?
01
J
Janita
em 2021-09-22 09:52

Doente fiquei eu, perante a beleza do poema e desta grade tão original.
A única doença que lhe diagnostiquei foram aquelas pontas afiadas, no extremo dos caracóis...

02
R
R Y K R D O
em 2021-09-22 15:53

Foto e poema deslumbrante. A conjunção poética perfeita
O meu elogio
Cumprimentos

03
M
Manu
em 2021-09-22 19:15

Não acho doentia, é bonita e tem um ar intransponível.
Eu que gosto de arriscar e pular seja por onde for, nesta não arriscava, estou sujeita a rasgar parte da minha fatiota 😊

04
L
Lis
em 2021-09-22 19:24

As grades sugerem 'só entre, se permitido' Oras, quem entraria?
_ muitas vezes sao regras de território marcado, outras de medo mesmo ou simples adornos.
Essa me pareceu bem evidente, mas não doentia_ os poetas adoram
glamourizar as palavras não é?

05
W
Willem
em 2021-09-22 20:49

A beautifully chosen photo to accompany this poem.

06
A
Ana Lúcia
em 2021-09-22 22:17

O prateado e as formas simples são engradecidas pelo fundo negro. A simplicidade de uma grade, valorizada pelas formas geométricas. ;)

07
S
Steven
em 2021-09-23 00:40

There's power to be seen in a composition's simplicity that highlights the shapes beautifully!

08
J
João Menéres
em 2021-09-23 06:04

Perante duas obras primas, resta-me contemplar!
Parabéns, REMUS, pela conjugação.

09
M
Manu
em 2021-09-23 13:58

Esqueça o comentário parvo que fiz.
Voltei para dizer que gosto muito da foto e do poema :)

10
L
L Reis
em 2021-09-24 20:09

Estou aqui a debater-me, não com os 4 cantos do tempo, mas com os 4 cantos da fotografia que encerram este desenho de círculos e linhas direitas e encaracoladas. A simplicidade do efeito é cativante e muito bem realçado por aquele fundo negro que encerra sabe-se lá que mistérios. No entanto, não posso deixar de referir que em questões de simetria, falha redondamente! Então não se vê logo que o caracol da esquerda tem para aí mais um milímetro do que o caracol da direita??! Que desleixo!

11
R
Remus
em 2021-11-08 21:16

Uma coisa é certa, os vossos comentários e visitas sobem sempre o meu ânimo. Obrigado!

Willem and Steven: Thanks.
Manu: Não achei um comentário nada parvo. Porque caso contrário, então os comentários que deixo nos vossos espaços, já dariam motivo para internamento psiquiátrico. :-P
L Reis: Mas isso é defeito do fotógrafo ou dos antigos artesãos que construíram o portão?