Acordei hoje e o mundo tinha-se lembrado de virar ao contrário. Não foi um terramoto, nem milagre, nem consequência de um decreto do governo (apesar de já estarmos habituados a decretos esquisitos). Simplesmente, a realidade resolveu brincar connosco.
As ruas e os passeios foram parar ao céu. Resultado? Agora quem anda a pé já não precisa de ginásio: faz abdominais automáticos sempre que levanta os olhos para ver se um autocarro lhe vai cair em cima.
Na política, a revolução foi discreta: os deputados passaram a trabalhar arduamente, e foi o povo quem começou a dormir nas galerias da Assembleia. Nas escolas, agora são os alunos que dão aulas aos professores. Por outro lado, beber café passou a dar sono, e a cerveja ficou energizante. Por isso os escritórios estão cheios de gente a ressonar com chávenas de café na mão, enquanto os bares ao fim da tarde parecem maratonas de crossfit.
Mas o maior choque foi no relógio. O tempo resolveu andar para trás. A malta de 70 anos rejuveneceu e está agora a encher as discotecas, enquanto as crianças entraram em modo senil, a reclamar das dores nos ossos e a pedir chá de camomila antes de dormir.
Conclusão: vivemos no mundo ao contrário, mas ninguém quer voltar ao normal. Afinal, para quê? No fundo, estava tudo do avesso desde o princípio. Este mundo só resolveu assumir-se tal como é: uma grande comédia surreal, onde a paz, a bondade, a fraternidade e outros ideais estão em extinção.
Informação técnica
O mundo anda ao contrário, mas por vezes dá bons resultados, como foi o caso desta foto, em que o céu se transformou e a calçada portuguesa ficou em destaque :P