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A felicidade é como a saúde: se não sentes a falta dela, significa que ela existe.

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Não é silêncio

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  Urbanismos Urbanism    Nikon D90  

O círculo insiste em não ter começo,
um eterno retorno sem memória,
como se escondesse no seu centro
um segredo que nunca se abre.

O quadrado, esse, organiza o mundo:
quatro lados, quatro certezas,
um esforço quase humano
de domesticar o infinito.

Mas há sempre uma falha.

Um triângulo inclina-se,
aponta, corta o espaço,
dá direção,
causa ferida, mas mostra o caminho.

E então surge a linha
frágil, tensa, quase nada
mas é ela que separa e une,
que rasga o plano e cria passagem.

Entre ângulos e curvas
nasce qualquer coisa indomável:
a imaginação dobra vértices,
desfaz medidas,
escapa à régua.

Porque nenhuma forma contém o todo.
Há sempre um excesso,
uma sobra invisível
que escorre pelas margens do desenho.

As formas não são silêncio,
são decisões contidas.
E é aí,
no erro da geometria,
que o futuro começa a ganhar forma.

Versaria de Remus, o trovador.

Porto

  Informação técnica

Fotografia N.º: 5651

Publicado em: 2026-05-11

Grupo: Urbanismos #Urbanism

 Câmera: Nikon D90

 Abertura: f 8

 Distância focal: 18 mm (35mm equiv.: 27 mm)

 Velocidade do obturador: 1/800 sec

 Flash: Não Disparado No flash

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  Escolha da semana

Estive a carregar baterias e sem tempo para fazer a escolha desta semana.
;-)

  Comentários

Existem 10 pontos de vista. Quem será o próximo?
01
S
Steven S
em 2026-05-11 13:39

The bold, architectural shapes of this building brings your poetic narrative to life, illustrating that "human effort to tame the infinite." :-) I love the strong contrast with the cloudless, blue sky.

02
M
Manu
em 2026-05-11 15:59

Gosto deste minimalismo que se adequa ao belo poema.
O céu azul brilha e motra-nos que podemos domesticar o infinito.
Gosto muito deste género de foto. :P

03
A
Ana Lúcia
em 2026-05-11 16:56

Adorei os teus versos, maravilhosos... E fiquei a pensar "a geometria tem erro?"
Ali em cima temos a Casa da Música?
Um hino à Geometria. :)

04
E
Elisa Fardilha
em 2026-05-11 18:01

O azul do céu realça as formas dos edifícios e reforça a beleza da composição minimalista .
Apreciei imenso o poema, de tua autoria, que legenda a fotografia.

Beijinho e ótima semana, Remus. 😘

05
W
Willem
em 2026-05-11 18:08

A photo with an attractive composition, beautiful photography.

06
H
Harry
em 2026-05-12 01:34

and the world is full of unique shapes, all different in the same way

07
Q
Questiuncas
em 2026-05-13 13:38

Custa-me a crer como foi possível permitir a construção de um edifício daquela volumetria quase pegado à casa da música.
O Remus também é um arquiteto de palavras.

08
L
Lis
em 2026-05-13 21:02

Gostei muito do poema, Remus Parabéns, poeta!
e o azul do céu com esse branco recortado deu um aspecto suave.
um abraço

09
R
Roadrunner
em 2026-05-14 12:37

Aqui é caso para dizer que gostei mais do verso que da foto. 😬

10
R
Remus
em 2026-06-05 17:29

Muito obrigado pelos vossos comentários. Eles são sempre muito apreciados.

Steven S, Willem and Harry: Thank you very much.
Ana Lúcia: Sim, é a Casa da Música. E ao lado, temos um edifício que actualmente pertence à EDP.
Questiuncas: Supostamente foi permitido com total concordância do arquitecto da Casa da Música... Mas se ele foi ameaçado para dar concordância, isso já não sei. ;-)