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Rua da minha aldeia

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#Urbanism

Agora, na rua da minha aldeia, muitas casas estão vazias. As portas e janelas estão fechadas e algumas com os vidros partidos embrenhando mato e bicharada. Muitas pessoas já morreram e as casas foram morrendo também. Em algumas ficaram mesmo só as pedras e as lembranças de quem por ali morou. As ruas da minha aldeia agora, já não parecem com a rua da minha aldeia quando era gaiato mas, apesar disso, serão sempre as ruas da minha aldeia. São ruas nossas que não temos coragem de as deixar, ruas tão amplas que nos levam até onde os nossos sonhos permitirem e a realidade autorizar. São lembranças da vida em tempos difíceis, em que a coragem se refletia não só na aceitação do destino, mas também no seu repúdio pelos que as trocaram pelas aventuras num mundo em que a humanidade ainda é a mesma. Mas disfarçada pelo caminhar do tempo! Final de tarde, ao longe, o sino desperta a Natureza e irrompe pelas casas a dentro. Algumas mulheres da minha aldeia rezam ainda, quase sibilando. O silêncio nas ruas da minha aldeia é ensurdecedor e esconde-se juntamente com o sol, vagaroso, até desaparecer no horizonte.

Excerto do texto «A rua da minha aldeia», de António Luís Alves.

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  Informação técnica

Fotografia N.º: 3498
Publicação: 2019-03-06
Grupo: Urbanismos
Câmara: KODAK DX6490
Abertura: f 2.8
Distância focal: 6.3 mm
Velocidade do obturador: 1/500 sec
Flash: Não Disparado

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  Comentários

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01
Gravatar Steven
em 2019-03-06 23:38:30

Splendid tones, textures and light captured in this shot!! A very descriptive excerpt which evokes emotion.

02
Gravatar Ana Lúcia
em 2019-03-07 07:14:42

Parece que o escritor ouviu o meu coração. Que tristeza sinto quando vou à minha aldeia. O pb acentuou o sentimento e a desertificação da aldeia.

03
Gravatar Martine Libouton
em 2019-03-07 10:30:24

Quel beau petit village où il doit faire bon vire! une très belle photo!

04
Gravatar Manu
em 2019-03-07 10:54:55

As ruas da minha aldeia, felizmente ainda estão cheias de vidas!
Esta está deserta como tantas pelo nosso país.
Gostei da sombra e luz e o P&B veio acentuar a desolação.

05
Gravatar Filipe
em 2019-03-07 14:14:28

Eu também nasci e cresci numa aldeia. Boas recordações que tenho da casa que me viu crescer... hoje, não está ao abandono mas já está restaurada, não é a mesma coisa.
Um abraço.

06
Gravatar Omar
em 2019-03-07 15:21:04

Emotional picture, because I did read the attached text. I did grow up in a city, but 30 years later I went back to our childrens house...

07
Gravatar Maria Antonieta
em 2019-03-07 18:58:12

A minha Aldeia é um pouco maior do que a do Remus e tem sofrido melhoramentos com o passar do tempo.
Quem não morreria de pasmo e tédio, nessas casas, sem outros horizontes para além dessa encosta escarpada? Claro que os donos emigraram e as casinhas se degradaram...É uma pena!

08
Gravatar Willem
em 2019-03-07 20:11:46

Reviving old times when viewing this beautiful picture.

09
Gravatar Alex
em 2019-03-08 19:13:41

é uma pena qdo se visitam estas aldeias, nas horas menos boas para fotografar.. ou se faz turismo, ou se fotografa... as duas nem sempre se conseguem conciliar na melhor hora. para mim, é o caso aqui... tem luz a mais...

10
Gravatar Roadrunner
em 2019-03-16 14:27:32

A rua da aldeia também já foi sujeita às "tradições" grafitianas da cidade…

Saudações!

11
Gravatar Remus
em 2019-04-05 20:38:37

Obrigado pelas vossas vistas e partilhas de sentimentos e vivências.

Steven, Omar and Willem: Thank you.
Martine Libouton: Merci.